No dia 23/05/2022 ocorreu mais uma sessão da unidade curricular de Iniciação à Prática Profissional 1. Esta teve início com uma menção por parte do Professor Sérgio Claudino a uma frase do Ministro da Educação João Costa, onde afirmava que “Os professores são formados para dar aulas só a bons alunos". Dado que estou agora na formação de professores acredito que me devo debruçar sobre esta observação. A minha experiência, ainda relativamente reduzida, leva-me a concordar com esta afirmação, realmente as experiências que tive até ao presente momento foram bastante controladas. As duas escolas/turmas em que lecionei neste 2.º semestre da formação de professores estão bastante bem organizadas e os alunos colaboram facilmente. A pergunta que me ocorre é: será que a formação de professores deve ser colocar os formandos no contexto mais adverso possível? Talvez esse não seja o caminho, visto que, como já aprendemos em diversas unidades curriculares deste mestrado de ensino, devemos começar sempre pelo mais simples. Sempre que aprendemos algo começamos por fazê-lo num ambiente relativamente controlado, vejamos o exemplo das aulas de condução. A primeira aula de condução provavelmente não vai ser na 2.ª Circular à hora de ponta, visto que ainda nem conseguimos entender bem qual dos pedais é a embraiagem. Ainda assim, o modelo de formação de professores não é o melhor, existem várias unidades curriculares dispensáveis, cujas horas letivas deveriam ser alocadas para o estágio nas escolas. As aulas deveriam ser principalmente para discutirmos aquilo que se passa no estágio e não para nos preparar para uma escola que, na prática, não existe.
Seguidamente o Professor Sérgio Claudino distribuiu um conjunto de fichas com sugestões de atividades que devemos aplicar nas nossas aulas. Farei agora uma reflexão sobre algumas dessas fichas:

A primeira ficha sobre a qual me vou debruçar, destina-se a trabalhar o tema do "Ciclo da Água" curiosamente abordei na primeira aula que lecionei no 10.º ano da Escola Alfredo da Silva. Esta ficha pressupõe que os alunos realizem duas atividades de cariz distinto. A primeira parece uma atividade mais mecânica, onde o aluno só tem de sublinhar, mas a verdade é que acaba por se tornar um exercício de associação dado que o aluno associa todas as formas em que a água foi mencionada no texto às transformações do seu estado físico. Sublinhar o texto também trabalha a competência da organização e seleção daquilo que é mais importante. Mencionar ainda a preferência por colocar "sublinhar com dois traços" em vez de com cores diferentes, visto que, segundo o Professor Sérgio Claudino, se escolhêssemos a segunda hipótese isso iria criar alguma desordem na turma visto que alguns não têm canetas de cores diferentes e acabariam a pedir ao colega sentado do outro lado da sala. A segunda atividade exige uma esquematização daquilo que está descrito no texto, o que será bastante benéfico para um tema como o ciclo da água é mais facilmente compreendido se os alunos visualizarem as suas diferentes etapas, algo que o esquema oferece.

Seguidamente abordarei a ficha titulada "Voz da Terra" que podemos observar acima e aborda os Sismos. Esta contém quatro atividades distintas, definir um conceito (Sismo), sublinhar o texto, esquematizar a informação do texto e por fim uma ordenação. Na análise à ficha anterior já mencionei a importância das atividades de esquematização e sublinhar o texto, por essa razão não voltarei a mencioná-las. Em relação ao conceito de Sismo talvez seja a atividade mais exigente para os alunos, já que esta definição não está no texto, ou seja, pressupõe uma interpretação do mesmo. O exercício 4, permite que os alunos não só façam uma ordenação pela intensidade do sismo, como também lhes permite associar essa intensidade a uma das figuras ilustrativas, ou seja, mais uma vez a componente visual essencial para a compreensão dos fenómenos geográficos.

Por fim, mencionar uma ficha que esquematiza os diferentes métodos de exploração de um texto em Geografia. O esquema começa por nos apresentar as três formas de categorizar a informação do texto, quer seja com anotações (reflexões), sublinhados (selecionar aquilo que é fundamental) ou dividir o texto (facilitar a navegação no mesmo). Após facilitar a leitura e acesso à informação devemos reorganizar a mesma, para ficar claro que a dominamos. Para tal podemos sintetizar a informação, preservando a sua forma (texto), ou reformatá-la recorrendo a quadros, gráficos, mapas e esquemas. Dependendo do nível de ensino dos alunos podemos ou não fazer parte deste trabalho, apresentando o esquema com apenas alguns espaços por completar, tal como no exemplo da segunda ficha que apresentei.
Esta sessão de IPP 1 demonstrou as potencialidades do texto para Geografia, algo que eu de certa forma desconhecia, visto que nunca considerei abordar um tema desta forma.
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